Março 17, 2008
Qualidade de Vida - Cerca de 50% dos atendimentos de saúde na região podem ser desnecessários.
Ipatinga – Associação Brasileira de Terapia Comunitária (ABTC) não confirma oficialmente, mas é possível que apenas cerca de 50% dos pacientes que são atendidos todos os dias na rede pública de saúde em Ipatinga, realmente necessitem de atendimento. Os demais talvez nem precisassem estar ali nas filas. Essa suspeita vem do Movimento Integrado de Saúde Comunitária (MISC), que atua a pouco mais de três anos no Vale do Aço, e procura trabalhar a dor dos pacientes que recorrem aos atendimentos hospitalares e não a cura propriamente dita.
“Nosso trabalho termina onde começa o do especialista em saúde”, afirma o presidente do MISQ, José Galvão da Silva Flávio. O movimento iniciado pela associação trabalha no sentido de minimizar o sofrimento das pessoas que procuram o atendimento médico, para evitar casos em que a pessoa se submeta a um tratamento desnecessariamente. A suspeita é de que em muitos casos, os pacientes sintam dores movidos mais pelas preocupações do que por doenças. Em tese, isso pode significar que se for levado a sério pelas autoridades públicas, um trabalho desse tipo, de forma estruturada, poderá contribuir para reduzir o número excessivo de atendimentos nos postos de saúde. Isso é claro, com o devido cuidado de não diagnosticar doenças, mas simplesmente levando o paciente a perceber se realmente necessita mesmo do atendimento ou se trata-se apenas de reflexo psicológico.
Esse movimento começou há 20 anos atrás em Fortaleza, através de seu precursor, o psiquiatra Adalberto Barreto. Foi quando surgiu a Organização Não Governamental (ONG) “4 Varas”, que procura formar pequenos núcleos, como o de Ipatinga, por todo o país, buscando otimizar ainda mais o atendimento da saúde – trabalhando o paciente numa fase antes, na parte psicológica. O próprio Adalberto Barreto – fundador do movimento – programa sua vinda à região para ministrar cursos terapia comunitária.
Esse tipo de terapia se baseia em cinco pilares básicos para o seu desenvolvimento: Pensamento Sistêmico, Teoria da Comunicação, Antropologia Cultural, Pedagogia Paulo Freire e Resiliência. No caso do Pensamento Sistêmico a idéia é de que se precisa trabalhar o paciente dentro de seu contexto familiar. Já a Teoria da Comunicação ensina que todo comportamento é uma comunicação do paciente e por isso merece toda atenção, pois pode servir de feedback no tratamento. A Antropologia Cultural procura tirar proveito de diferenças tais como as culturais e as raciais – que poderiam ser vistas como desvantajosas, mas que podem contribuir no tratamento. No caso da Pedagogia Paulo Freire – seu ponto forte é o estilo parecido com o do Filósofo Sócrates, da antiguidade, que não aceitava verdades prontas, mas exercitava a arte de questionar as coisas. E por fim, a Resiliência – que defende a capacidade do ser humano de dar a volta por cima por meio dos recursos que possui em seu interior.
Núcleos de assistentes de terapia comunitária vão sendo formados em todo o Brasil a exemplo do que acontece em Ipatinga. Ele está sendo estruturado na cidade e já começa a dar assistência a comunidades mais carentes e a centros de tratamento de pessoas portadoras de vícios. Entre as entidades assistenciais que já se beneficiam do MISC na região, estão a Associação Reviver e a Associação Rios de Água Viva. Por enquanto, trata-se de um trabalho voluntariado, mas, já se começa a cogitar entre as autoridades políticas a idéia de vir a se tornar um recurso a mais do SUS – Sistema Único de Saúde.
Maiores informações:
Misc Minas – (31) 3823:3357 ou (31) 9988:1199
